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19.2.10

Voltando para a casa - considerações de viagem


Só para dar notícias... Neste momento estou escrevendo do meu quarto de hotel em Frankfurt, e amanhã partirei, de volta à casa. Viajar é o melhor investimento possível, e defenderei isso até a morte. Mas defendo também que uma das partes boas da mesma viagem é sentir falta de casa, da rotina, e, por fim, voltar para estas. Que acabam não sendo mais as mesmas.

Essa viagem de 21 dias me fez conhecer mais um pouquinho desse mundo (mundo louco...), e, por conseguinte, um pouquinho mais sobre mim.

E fico feliz de sentir saudade da minha Porto Alegre, afinal, devo ter algo (principalmente pessoas) bom me esperando por lá, não é? Gosto das minhas raízes.

Agora, há uma longa - e chatérrima - jornada de aeroporto, tédio e malas (em todos os sentidos) me esperando pela frente, mas domingo tô de volta!

Fui. Auf-wiederzen!

PS: Essas fotos pitorescas de Frankfurt não foram tiradas por mim... - encontrei no Flickr de um carinha chamado (apelidado?) überkenny.

5.7.09

The Girl and The City, parte I.



Eu chegava na cidade nova. Continente novo. Sabia que os meus sonhos juvenis me aguardavam, assim como meus medos. Talvez mil amores, mil rancores também... Vai saber. Eu desvirginava as calçadas, as ruas, meio boquiaberta. Tudo era tão novo, e um dia viria a fazer parte do meu cotidiano, da minha paisagem clichê. Seria tão natural pra mim que meus passos iriam me coordenando, mecanicamente, e não meus olhos, como faziam agora, procurando nas placas de língua estrangeira algum sinal de que eu estava indo no rumo certo para o meu apê alugado. Os prédios nunca dantes vistos me engoliam, e aos seus lados jaziam, impassíveis, blasés em sua imponência intangível, os monumentos antigos que já presenciaram guerras, discursos históricos e assinaturas de tratados entre países. Eram eles que olhavam pra mim jogando em minha cara que sim, finalmente, eu estava Velho Continente, perdida e sozinha, com bagagens e pensamentos interrogativos sobre o futuro, mas também com a certeza de que um sonho de criança começava a ser realizado.
Fonte da Imagem: It's Nancy's New Blog

UPDATE: Ganhei esses dois carinhosos selinhos da Gaby. Obrigada, querida!

31.8.08

O meu gato felpudo aqui pedindo pra ser acariciado, bailando entre minhas pernas magras. Eu não sei mais o que fazer quanto ao cigarro. Ele ainda me mata. Meu velho amigo. O gato dá um miado arisco e estridente quando eu o pego de maneira desajeitada e o jogo na minha cama. Ele não gosta de ser rejeitado. Fica num canto me olhando, parece que trama algo pra se vingar.

Das minhas caminhadas em Praga eu trago meu silêncio, e o gosto do tabaco praguense, que eu tragava pensando em Kafka. As ruazinhas estreitas cheias de surpresas, o formato simétrico das casinhas e de seus telhados homogênios me trazem saudade. De vez em quando aqueles vendedores compulsivos de souvenirs me chateavam, e minha cabeça começava a rodar, com suas vozes no fundo, me chamando, -matriochka!. Aquilo me irritava e eu fazia gestos obcenos pra eles. Ca-ra-lho.

Eu ficava ziguezagueando tonta por aquelas ruas, e o calor me fazia obcena. Eu sentia os hormônios fervilhando, me sentia à flor da pele. Mas a tontura continuava. E eu sempre lembrava do gato, ele estaria sem comida em casa a essa altura. E lembrava do dono da pensão, ele era tão italiano e destoava tanto da Praga que entendia Mosart. Com aqueles berros inconvenientes e uma pose dispensável de homem maduro ele me incomodava. Se ele me aparecesse naquele momento, eu dava pra ele ali mesmo. Mas daquele jeito bem impessoal, eu só abriria o ziper de suas calças imundas e me deixaria ser tragada.

Que nem eu fazia com aquele cigarro forte, meio sem pretensão, sem gosto, sem alma, e eu continuava caminhando tonta por aquelas ruas. E o gato deve estar rosnando em casa...