26.9.10
a dúvida matadora
15.9.10
Hj 'tou querendo compartilhar
19.2.10
Voltando para a casa - considerações de viagem

Essa viagem de 21 dias me fez conhecer mais um pouquinho desse mundo (mundo louco...), e, por conseguinte, um pouquinho mais sobre mim.
E fico feliz de sentir saudade da minha Porto Alegre, afinal, devo ter algo (principalmente pessoas) bom me esperando por lá, não é? Gosto das minhas raízes.
Agora, há uma longa - e chatérrima - jornada de aeroporto, tédio e malas (em todos os sentidos) me esperando pela frente, mas domingo tô de volta!
Fui. Auf-wiederzen!

PS: Essas fotos pitorescas de Frankfurt não foram tiradas por mim... - encontrei no Flickr de um carinha chamado (apelidado?) überkenny.
26.1.10
Me inventando
Eu, crua, não me agrado.
21.1.10
Escolhas que a vida faz pela gente (por mais que não concordemos)
Eu não a compreendo, não quero compreender e tenho raiva de quem compreende: a efemeridade.
“É essa coisa do ciclo da vida”, diria, muito casualmente, Dr. House. É essa coisa de que a morte faz tão parte da porra do tal ciclo da vida quanto o nascimento. A morte não só de pessoas, mas também de sentimentos, de situações, de rotinas, de idéias, de sonhos.
Exemplo dos probleminhas que minha incompreensão me traz: ontem chorei pelo ex-namorado… da minha irmã. Sim, repito, e eu sei que é foda de acreditar: eu chorei pelo ex-namorado da minha irmã. Eu pensava: ele era tão querido, fazia tão bem a ela. Olhei para uns quadrinhos que ele fez . Lembrei de como eram as rotinas de quando ele freqüentava nossa casa. E não consegui conter as lágrimas que inundaram minhas simpáticas bochechas, que ficaram mais inchadas do que nunca, junto com o rosto inteiro.
Exemplo do problemão: Meu coração tá rachado. Despedaçado. Em quinhentos milhões de caquinhos. Parece que tem uma faca cravada ali, futricando os ferimentos, sádica. E o nó na garganta que nunca vai embora. E as lágrimas que vezenquando aparecem lá no escuro do meu quarto. Os cheiros que me trazem memórias e lamentos. A canções. As rimas...
É tanta coisa que atualmente eu ando tendo que me convencer que é página virada. Não falo só de amor, mas de diversos outros sentimentos mais pueris que eu cultivava. Por que o “mundo cruel” (como ironizou um amigo meu) está me enfiando pela goela: a fila anda. E esse tal de mundo cruel tem um fórceps gigantesco que quer arrancar de mim os meus sentimentalismos e fazer parir uma mulher de verdade. Que nada tem a ver com a Amélia, não.
“La tierra parece estar quietaY el sol parece girar,Y aunque parezca mentiraTu corazón va a sanarVa a sanarVa a sanarY va a volver a quebrarseMientras le toque pulsar”
11.1.10
Inteligência Social

Os “inteligentes sociais” são capazes de vender uma idéia que não corresponde completamente com a realidade. Não que sejam falsos. Não necessariamente. Mas, por exemplo, se eles não vão tão bem assim nas provas da faculdade, se matam estudando e depois deixam transparecer poraí que nem sequer tocaram em um livro. Se choram toda noite no escuro do seu quarto, à luz do dia exibem o sorriso mais fácil e radiante, assim como os dentes mais brancos e reluzentes que já se viu antes. Se o namoro não vai muito bem, em público eles são o casal mais apaixonado do mundo, e nas redes sociais esbanjam fotos de um relacionamento saudável e feliz. Aliás, falando em redes sociais... o perfil no Orkut dessas pessoas costuma exibir muitas fotos que traduzem sua felicidade, e os depoimentos efusivos de amigos não são poucos.
Em geral, os inteligentes sociais são muito bons em estabelecerem contatos úteis, e seu dom para o networking espalha ainda mais sua reputação de pessoa perfeita e bem sucedida. Sabem como agradar a pessoa certa, na hora certa, seja um contato profissional ou uma amizade que trará benefícios, como, por exemplo, de alguém muito popular em determinado meio.
Eu não vou dizer que esse grupo “engane” todo mundo, pois a palavra não é, necessariamente, enganar ou ludibriar. Mas as pessoas dotadas de inteligência social conquistam a todos, e são, de fato, capazes de vender uma idéia de espontaneidade, inteligência, caráter, senso de humor, enfim, de perfeição. E essas pessoas têm o dom de esconder seus defeitos e fraquezas, muito embora, às vezes, deixem escapar algum furo ao observador mais atento, ou àquele que possui uma intuição aguçada.
Eu não consigo não me deixar transparecer... Sou involuntariamente honesta e eloqüentemente sincera. Meu humor autodepreciativo é irrefreável. Minhas caretas de insatisfação são mais fortes do que eu. Creio ser dotada de uma inigualável burrice social. Eu não consigo esconder nada, a começar pelos meus defeitos. Minha auto-estima nada hígida me denuncia. Gostaria que meus próprios olhos enxergassem uma imagem melhor a meu respeito, mas sou exigente por demais. Se eu quiser vender poraí que sou perfeita, estarei enganando a mim mesmo, e isso seria me violentar.
"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro" (C.F.)
27.6.09
MICHAEL JACKSON: freak, mal-amado, carente e genial + As melhores
Como esperar que uma criança, que era obigada a estar brilhando nos palcos desde os 5 anos de idade, fosse normal? Frase parecida foi dita pelo próprio, na entrega de um Grammy que eu não lembro qual. Disse tudo. Querer que uma criança, crescida no contexto em que cresceu, fosse ‘normal’, é no mínimo exdrúxulo.
Comecei a entender um pouco mais sobre a vida desse homem (mulher? andrógino?) quando assisti o filme "Man in the Mirror: The Michael Jackson Story", algo como “O Homem no Espelho: a História de Michael Jackson”, no canal VH1, no final do ano passado quando estava em NY. Antes disso eu achava ele um total freak descontextualizado, que pulou do nada no cenário da música POP e uns metidos a entendidos diziam que se tratava de um fenômeno, uma lenda. Naturalmente, eu nasci em 1988 e, muito mais nova que ele, não acompanhei sua carreira (sua explosão precoce e sua derrocada) como minha mãe, por exemplo. Ao assistir o filme, comecei a entender um pouco a história dessa criatura, que aos 3 anos tinha como melhor amigo “Mr. Rat” (uma ratazana da casa em que a família, pobre, morava) e que sempre sofreu pressões horrendas e por parte da família. Se foi abusado pelo pai? Ninguém sabe, só boatos; mas é fato que sofria maus-tratos.
Documentários e relatos de amigos apontam para a extrema carência e baixa auto-estima de Michael. Amigos dizem que tudo o que ele queria era ser amado: todas as extravagâncias, bizarrices, cirurgias bizarras, enfim, toda essa necessidade de chamar atenção, que só resultava em auto-violência, era fruto de uma carência patológica. Ele não teve infância, não teve vida prórpia, nunca teve oportunidade de cristalizar uma personalidade e uma visão de mundo.
E nessa indefinição entre criança/adulto, homem/mulher, que permeou toda sua vida, desde a infância que nunca teve, só podia resultar em bizarrices to tipo “Neverland”. Se ele foi pedófilo? Não sabemos também. O fato é que sofreu duas acusações formais, sendo que a primeira, em 1993, foi resolvida em um acordo que pode ter envolvido mais de 20 milhões de dólares. Mas acho que a discussão vai muito além da pedofilia: é algo muito mais complexo. Ele mesmo não tinha certeza se era criança ou adulto, e tinha uma sexualidade anômala. Michael já deu declarações comentando que não via problema em dormir na mesma cama com crianças, apenas ‘as cobria e cantava uma musiquinha para que dormissem’. Isso pode parecer nojento, e é, mas vindo de quem se trata… Acredito que ele seja quase um inimputável, que realmente não tinha poder de dissernimento entre o certo e o reprovável. Não sei se ele chegou nas “vias de fato” da pedofilia, não acredito que ele tenha tido “tesão” por crianças. Acho que tudo é fato de um distúrbio sem precedentes de personalidade e de sexualidade.
Todos esses distúrbios supracitados refletiram-se também na forma bizarra com que tratava os filhos – Aliás, cá entre nós, alguém me explica como os filhos dele saíram mais branquinhos que leite?? – vestindo neles véus exdrúxulos que tapavam seus rostos, expondo eles do lado de fora de sacadas, etc. Vi um vídeo em que ele enfiava grotescamente mamadeira na boca de um dos filhos dele enquanto esse chorava compulsivamente, atrás de um véu preto horrendo.
O fato é que nunca poderemos compreender e explicar o bizarro Michael Jackson, mas que assim o era em função de todo um contexto mais bizarro ainda. Mas todas as esquisitisses não apagam ou reduzem, de forma alguma, sua genialidade. E agora ele se foi, deixando uma legião de fãs desamparados. O fato é, também, que aquele garotinho que cantava “Ben” não habitava mais naquele corpo alvo e deformado, fazia muito tempo. Ele não passava, em seus derradeiros anos, de uma figura infeliz, opaca e mal-amada. Enfim, I think he’s got enough.
* Post apressado e sem correções... mas estou sem tempo e realmente PRECISAVA escrever alguma coisa sobre ele.
Os melhores e mais marcantes, em minha opinião:
E Mais: “Ben”, “I’ll be there”, “Can you feel it”, “Don’t stop ‘till you get enough”, “Sugar Daddy”, “Man in the mirror”.
24.6.09
Polêmica...
Lindo, lindo, lindo! Um amor verdadeiramente genuíno e puro. A única coisa discutível aí, a meu ver, é o incesto. Mas para essa discussão esperarei até agosto, mês para o qual está prevista a estreia do filme.
To louca pra que chegue aos cinemas =)
UPDATE: Como assim Michael Jackson MORREU????
18.6.09
Carisma: eu não tenho
Carisma: Eis uma característica que ou se tem, ou não tem. Quero dizer, não é algo que se desenvolva ao longo da vida, aprendendo, ou treinando. Ou a gente nasce com ou, sorry, vai arranjar outras maneiras de vencer na vida.
Tem quem ache que carisma é uma linguagem de expressão, uma técnica, algo a ser estudado e desenvolvido e especializado com muito treino e prática. Fulano de tal é “técnico” em carisma, já sicrano é ‘pós-doutorando’. O The Sims também acha. Tanto que os personagens treinam na frente do espelho e ganham “pontos de carisma”. Haha. Interessante.
Mas não existe técnica ou tampouco “pontos” de carisma. Carisma está nos trejeitos, no timbre da voz, no sorriso fácil. Se eu vou treinar esses atributos na frente do espelho, eu vou virar uma farsa. Irei forçar a voz para ficar menos esganiçada (e de taquara rachada), irei fingir sorrisos e gesticular de modo antinatural a mim. Eu não vou mais ser eu.
Sim, isso mesmo, eu tenho consciência de que não sou lá uma pessoa muito carismática. Tampouco sei me comportar muito bem socialmente. Acho minha voz insuportável, rio de coisas que não deveria, não sorrio o tempo inteiro, às vezes falo alto de mais e não tenho o dom da empatia e de fazer todos à minha volta se sentires importantes.
A simpatia, essa a gente pode adquirir. Eu mesmo estou me forçando a cumprimentar mais as pessoas, sorrir pra elas, perguntar sobre como estão, se precisam de alguma coisa. Naturalmente eu sou mais fechada. Mas o carisma não se resume a isso. O carisma transcende a técnica, é algo inato, que nascemos com ou sem. Mas também não é o único modo de ganhar a vida, creio que seja um catalisador. Se você não o tem, como eu, não se desespere: apele para a sua inteligência, para sua perspicácia, para seu humor refinado, ou, você não tem nada de muito interessante, vá para uma academia e se concentre em virar o(a) gostosão(ona) do pedaço, sei lá.
3.5.09
Sobre pequenos preconceitos, mentes abertas, Divã e coisas afins
E assim eu e ela, este fim-de-semana, entre um gole de vinho e outro, conversávamos sobre um filme brasileiro o qual tínhamos acabado de ver – Divã, adaptação do livro homônimo da escritora gaúcha Martha Medeiros, a quem tenho grande admiração. O filme não é daqueles que a gente sai super sensibilizada, ou daqueles que nos provocam super epifanias e mudam nossa vida. Mas é um filme simples, leve, divertido, que se não nos atiça lágrimas, atiça risadas – das mais gostosas. Eu não tinha nada de muito profundo ou original a comentar sobre a obra, mas minha mãe, com suas naturais empatia e sensibilidade, acrescentou: “engraçado né, quando a gente se depara com dois extremos, temos a tendência a estigmatizar, julgar um dos dois, e a nos apegar ao outro”. Sábias palavras.
No caso em epígrafe, ela estava se referindo à personagem principal e sua melhor amiga, [ATENÇÃO, A PARTIR DAQUI O TEXTO CONTEM SPOILERS DO FILME “DIVÔ] as quais eram completamente diferentes: uma era super aberta, a outra mais bitolada ao seu mundinho; uma era aberta, arrojada, e a outra era conservadora, quase ortodoxa; uma achava que traição não era problema, a outra achava o fim do mundo; uma era super independente e achava que o seu marido não era ‘dela’, apenas fazia parte de sua vida (afinal, ‘gente não é dona de gente’), e a outra praticamente vivia para o marido, achando a infidelidade a coisa mais horrível do mundo.
Simplesmente lendo essas informações, você não tem tendência a julgar uma delas como sendo errada, e se apegar à outra? Eu, naturalmente, fazendo parte de uma geração nada careta, e me considerando, bem aberta, tive a tendência imediata de estigmatizar a amiga conservadora como mulherzinha/submissa/ultrapassada/coitada, e a comprar a causa da personagem principal, arrojada, moderna, ousada, espevitada, quase libertina. Já durante o próprio filme me dei conta de como havia sido ridícula (e de como eu não era tão mente aberta assim), e sim de que tudo é uma questão de contexto: a personagem moderna e arrojada estava feliz, sendo ela mesma, em seu contexto, da mesma forma que a amiga conservadora, casada, dona-de-casa, que vivia para o marido, era muito feliz e realizada em sua vida e suas ambições (por menores que essas possam parecer aos olhos de pessoas como eu, que pensam bem diferente). É uma questão de respeito e de contexto.
O bom do filme, e que me surpreendeu positivamente, foi justamente mostrar que não há posição certa ou errada: não teve uma das duas que se deu mal, não houve final moralizante: mostrou que ambas foram felizes com as ambições que perseguiram e com as idéias e concepções de vida que julgavam corretas.
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28.4.09
Happiness is only real when shared
(Into the Wild (Na natureza selvagem)/ trilha sonora de Eddie Vedder)
26.3.09
a "completude" da modernidade.
caberá ao nosso amor por o que há de vir
pode ser a eternidade má
caminho em frente pra sentir saudade"
18.12.08
Dicotomia Temperament/Caráter e... FELIZ NATAL!
"O temperamento, que também conhecemos por "gênio", está ligado às sensações e motivações básicas e automáticas da pessoa no âmbito emocional. É herdado geneticamente e regulado biologicamente e pode ser observado nos primeiros anos de vida. (...)
Enquanto o temperamento tem a ver com este plano emocional básico do indivíduo, suas sensações e motivações, o caráter decorre mais das experiências e modelos que formam nossas memórias e padrões psicológicos (caráter nesse contexto não significa somente boa índole ou valores morais sólidos).
O temperamento define o que mais naturalmente se salienta no mundo para cada um e influencia os tipos de experiências em que nos envolemos e como reagimons instintivamente a elas. A interpretação destas experiências gera um significado que por sua vez lapida a expressão do temperamento, que é o caráter. Assim, é claro que o temperamento e o caráter se influenciam e interagem e nem sempre é fácil diferenciar o que provém do caráter e o que provém do temperamento. A combinação deste temperamento com o caráter que se forma pela experiência é o que definimos como personalidade." (pgs. 13/14).
9.12.08
A NATUREZA DA NOSSA PERSONALIDADE
Seria a nossa personalidade:
1) um comportamento, e, sendo assim, uma escolha? Ou seja, algo facilmente mutável?
2) Algo intrínseco a nós (que nasceu conosco, está gravado em nosso DNA)? Que constitui nossa natureza e, por conseguinte é, para não dizer impossível, muito difícil de mudar?
Esse ponto adentrou meus pensamentos de forma meio devastadora, uma vez que sinto na pele esse dilema! Fico me perguntando até que ponto eu deveria mudar alguns aspectos da minha personalidade, e até que ponto eu deveria “me respeitar”, aceitando que são certos “defeitos” os quais fazem parte do meu jeito de ser, da minha natureza. O limear é estreito!
Adoraria que vocês dessem suas opiniões. Um beijão!
OBS: uhuul, o semestre acabou, estou de “férias”! As aspas são em função de eu ter que passar o período de veraneio inteiro em 'Forno' Alegre, haja vista meu trabalho!
12.11.08
Vitimização Inconsciente
5.11.08
Lalalá Tralarirá
Ando irritada e intorelante com o pessoal da faculdade. Sei lá, tudo me irrita, não gosto mais das pessoas como antes, não tenho mais paciência pras suas histórias pequenas e repetidas. Com algumas exceções, quais sejam duas ou três amigas.
Sem paciência para observar as panelinhas, as fofoquinhas, as intriguinhas. Lá é assim, sempre foi e sempre vai ser: um antro de fofoca, de intriga, de um querendo pisar em cima do outro na primeira oportunidade. Seja porque sabe alemão, porque fez um curso na itália, ou qualquer coisa que prove grande capacidade intelectual, seja porque é mais bonito e mais popular, ou porque tem roupas mais caras ou trendsetters. No fundo, são todos iguais, não há diversidade alguma.
Mas no meio disso, há algumas coisas que abrem a cabeça. Ontem fui num evento muito massa, cujo palestrante era o jornalista Caco Barcellos. Confirmei o que já sabia: o cara é um máximo. Ele falou sobre a cultura da violência, assunto que devia interessar a todos, e especialmente me tocou, agora que estou trabalhando com direito penal. Ele apresentou alguns vídeos, e principalmente expôs as opiniões dele sobre o assunto.
Interessante que a patrocinadora do evento, chamado "Diálogos Universitários" (q era de graça, dava comida de graça, mochila de graça e até o cu de graça) tratava-se da empresa Souza Cruz, empresa que produz cigarro, desde as lavouras de fumo até as grandes indústrias. Engraçado que a Souza Cruz fica patrocinando esses eventos de "consciência social" como se fosse muito boazinha e não ganhasse nada em troca. Apresentou vídeos mostrando como ela é bondosa com os agricultores e com a sociedade. Ahã. Mas o mais engraçado foi uma pergunta que fizeram da platéia para a representante da Souza Cruz: "é verdade que o cigarro mata mais que o dobro do que a violência?". A platéia caiu no riso. A mulher, altiva e imponente em seu salto 15, e apoiada em seus discursinhos prontos, despencou. Mas fez questão de dizer, com seu chiado carioquês exagerado: "Vocêixx axxam que eu não goxxxto desaxxx perguntaxx mas eu adoroooo!!! Muito obrigada quem feixxx!!!!". Pior que isso foi a resposta, também fruto de um discurso pronto, uma vez que sem dúvida eles são treinados para se dar bem diante dessas provocações: "É, porque a gente nasce ouvindo que cigarro faz mal, e isso entra na nossa cabeça..." What the fuck??? Ela tá querendo insinuar que cigarro não faz mal?? Sorte que ela era bonita e bem vestida e bem maquiada, assim o povo recebeu ela bem, naturalmente. Mas mesmo assim, ouviu-se uns "UUUUU" de uns poucos ouvintes.
Me estendi.
Dale Obama. E eras isso.
24.9.08
Ser ou Não ser (Vegetariana)
Ponto um: Eu tenho uns problemas nervosos de refluxo, gastrite, coisas do tipo. Volta e meia tenho que usar uns remédios e às vezes tenho recaídas.
Ponto dois: admito que tenho um péssimo hábito alimentar. Não como frutas (tenho preguiça de descascar, sempre uso a desculpa de que não tenho tempo), como um monte de porcarias fora de hora (novamente, não tenho tempo!!), e agora que passo o dia inteiro fora de casa, indo direto da faculdade-pro-trabalho-pra-faculdade-pra-alguma-outra-aula-qualquer, vivo de tranqueiras industrializadas e cappuccinos nos intervalos.
Ponto três: preciso emagrecer.
Ponto quatro: ser vegetariano está super na moda genteeeem! As celebridades magérrimas e zens tipo Fernanda Lima e as minhas amigas mais elegantes adoram propagandear o vegetarianismo poraí.
Ponto cinco: eu não viveria sem leite e derivados, daí descobri que tem um troço chamado ovolactovegetarianismo que cairia como uma luva pra mim!! (e eu ainda porderia comer ovo frito! êÊÊ!)
Ok, vamos ao relato. Terca-feira denoite eu estava elétrica na minha cama sem conseguir dormir e decidi que ia virar ovolactovegetariana. Sim, imagina, eu viraria de uma hora pra outra zen, saudável, magra. e na moda!
Após uma conversa com minhas amigas da faculdade, decidi que iria ser só lactovegetariana, pois comer ovos significa interromper o ciclo de vida dos pintinhos, imagina que horror.
Enfim, estava super empolgada pois eu iria entrar na moda, e teria algo especial e peculiar ao meu respeito (sem contar que a palavra é chique, tipo rebuscada), pra contar pros outros: "zénti, sou lactovegetariana!", ou usaria de argumento de superioridade, tipo "sou lactovegetariana, bíãch!"
Vai dizer? Soa superchique. O próximo passo pra subir no status seria aprender frac�s.
Continuando o relato. No mesmo dia fui almoçar no MP, onde eu estagio, lá tem um restaurante-buffet bem bom e tal. Fui me servindo involuntariamente (esqueci que tinha virado lactovegetariana). Ao sentar na mesa, lembrei. Olhei pro meu prato: peixe, carne de gado e frango. Sim. Os três. Matei um peixe, um boi e uma galinha.
Conclusão: não adianta fugir à minha natureza e ao ciclo da vida (cadeia alimentar).
Ressalva: respeito muito quem é vegetariano e realmente acredita nos princípios e filosofia do vegetarianismo, e não faz isso somente por modinha.
20.6.08
Das sociedades frustradas
Sabe que no direito societário, uma das causas da dissolução total da sociedade é o exaurimento do objeto social. Ou seja, uma vez esgotado o objeto de determinada sociedade, vale dizer, esgotada sua razão de ser, não há mais razão para continuar a pessoa jurídica.
E eu cá pensando... fazendo uma analogia (meio tosca, é claro) entre a sociedade e o ser humano. Quando entramos em um relacionamento pra valer, mergulhando de ponta e tudo, chutando pra longe a razão e a lógica, acabamos promovendo o ser amado para o centro das atenções e centro das prioridades das nossas vidas. Ou seja, transformamos o imbecil do nosso amor em objeto vital da nossa existência, em nossa razão de ser, em nosso objeto social (isso claro considerando que todas as pessoas do mundo são intensas, passionais e irracionais como eu...).
No momento em que o objeto social é exaurido, ou seja, que chutamos ou somos chutados pelo amor das nossas vidas, não há mais razão para continuar a pessoa física. Assim, de repente, não mais que de repente, se esgota a nossa razão de ser.
Se fôssemos uma sociedade, iríamos à falência total. Acabaríamos. De vez. Algumas pessoas, como o jovem Werther, também.
Daí eu me pergunto: como eu fui capaz de sobreviver a essa dor? Como nós somos capazes? Cãrã, nós somos muito fortes, implacáveis. A gente fica com o nada dentro de nós e ainda assim conseguimos transformar o nada em razão de viver, conseguimos nos reerguer e buscar novos objetivos. Claro, isso com uma ajudinha do senhor Tempo. Velho sábio. Senhor de respeito.
Mesmo assim, a gente não consegue transformar todo o enorme pedaço de nada em razão de viver. Algum pedacinho sempre fica. E esse pedacinho se chama vazio. Quem sabe um novo amor, ou uma nova possibilidade de amor, não pode nos ajudar nesse aspecto?
A essa altura meu cappuccino já está frio, e a chuva mais esparsa. Mas ela continua a molhar.