27.11.13

Georgia on my mind


"Enfim... Eram recordações boas. Tudo aquilo tinha ficado muito longe no passado. Verdade é que a gente nunca esquece a infância. Pieguices? Mas, que é que a vida pode nos oferecer de melhor, de mais puro?"

- Erico Verissimo, em "Clarissa", 1933

25.11.13

Constantine: [to Eugenia] Every day you're not dead in the ground, when you wake up in the morning, you're gonna have to make some decisions. Got to ask yourself this question: "Am I gonna believe all them bad things them fools say about me today?" You hear me today? "Am I gonna believe all them bad things them fools say about me today? You hear me today?" All right? As for your mama, she didn't pick her life. It picked her. But you, you're gonna do something big with yours. You wait and see.

23.11.13

21.11.13

Recordar, Repetir, Elaborar

Só pra lembrar pra mim mesma que eu sou adulta. Que acreditar em internet é uma furada. E que quem enfia a cabeça na merda, se suja.

E que o grande sofrimento da humanidade consiste em não aceitar as coisas como efetivamente são.

Beijos soberanos para mim mesma. Ex-Diva depressão, atual glamour decadente.

18.11.13

não quero ser exaurida

e se eu me doo por inteira,
meu amor se esgota em ti

12.11.13

É tão bom chegar e eu estou chegando

- Queria tanto saber dançar que nem tu!
- Dança que nem TU.

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Tantas coisas espe(essen)ciais acontecendo do lado de cá que eu queria contar =)

24.10.13

Nós


"A vida é desfazer nós
Nós de nos mesmos
A linha da vida fica maior
Se você consegue tirar o nó


A vida é desfazer nós
e os motivos de fazê-los
ninguém pode desfazer por nos
ninguém pode impedir os nós


Nós aqui
Nós nunca estão sós


Na miga engoli um nó
Nó na garganta
Tô indo rir vou pra casa já
Se não amanhã não consigo me levantar


A vida é desfazer nós
Nos que fazemos
pra complicar um caminho só
e a linha da vida ficar cada vez menor


Nos aqui
nós nunca estão sós
Nos aqui
Nós nunca estão sós"


[Lulina]

22.10.13

É só o vento lá fora


Past one o’clock. You must have gone to bed. The Milky Way streams silver through the night. I’m in no hurry; with lightning telegrams I have no cause to wake or trouble you. And, as they say, the incident is closed. Love’s boat has smashed against the daily grind. Now you and I are quits. Why bother then To balance mutual sorrows, pains, and hurts. Behold what quiet settles on the world.Night wraps the sky in tribute from the stars. In hours like these, one rises to address The ages, history, and all creation.

13.10.13

Domingo

Seems so cruel, think I could shake you off, yea I think I'm tough I can take it
I'm tellin' the truth, you put a good hurt on me


5.10.13

Mia Couto

Ser, parecer
Entre o desejo de ser
e o receio de parecer
o tormento da hora cindida

Na desordem do sangue
a aventura de sermos nós
restitui-nos ao ser
que fazemos de conta que somos

- Mia Couto, no livro "Raiz de Orvalho e Outros Poemas".

9.9.13

Não existe amor em sp


Moedor de carne

Você entrou na fila

E eu estou de luto


O entorpecimento serve à produtividade plena
E você se curvou a isso

Neutralização de sentimentos
Lucratividade máxima

Você foi colonizado e nem percebe

Se convence que esse estupro foi consensual

E eu aqui, alma sublimada, pra sempre inconformada.

poema prum amigo que odeia poesia - Por Fábio Rocha

"Bukowski lhe diria: é assim mesmo

te mimam
depois você deve ganhar seu dinheirinho
num emprego estúpido

com essa grana
você pode pagar alguém pra curar sua mente fodida pelo sistema
melhorar as dores do seu corpo fodido pelo sistema
e seguir contribuindo prum mundo fodido pelo sistema

cefaléia
gastrite
tendinite
ansiedade
insônia
suores noturnos
fobia social
síndrome do pânico
hérnia de disco
fibromialgia
escritório

nas horas que sobram
a cidade grande desertifica as relações
corta os sorrisos
ocupa os amigos

a cidade grande, os jornais, os jogos do facebook
nos distraem de nós
nos destroem os nós

há corda

se tiver um cérebro, deus é uma piada
tente outra porta

você chega em casa e lava as mãos pra tirar os germes
abre a torneira e massageia vidros
silêncios moídos
gelados sentidos

corta os pelos do nariz - mas eles crescem
corta as unhas dos pés - mas elas crescem
e você sabe que vai morrer
mesmo não querendo

a salvação brilha no encontro com uma mulher
que depois te odiará
ou você a ela
por perceberem que a droga da paixão se esvai com o tempo
e ninguém salva ninguém
da cidade
do mundo
do sistema
da morte

no meio desta merda
cabe achar tempo
para deixar sair de alguma forma
o que o universo quer gritar com a sua voz
em vez de ter filhos"

23.8.13





"Debaixo da pele o corpo é uma fábrica a ferver,
e por fora,
o doente brilha,
reluz,
com todos os poros,
estilhaçados"

***

"É preciso amar o inútil.
Criar pombos sem pensar em comê-los; plantar roseiras sem pensar em colher rosas; escrever sem pensar em publicar; fazer coisas assim, sem esperar nada em troca. 
A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas. 
A música... 
Este céu que nem promete chuva... 
Aquela estrelinha que está nascendo ali... está vendo aquela estrelinha? Há milênios não tem feito nada, não guiou os Reis Magos, nem os pastores, nem os marinheiros perdidos... Não faz nada. Apenas brilha. Ninguém repara nela porque é uma estrela inútil.
Pois é preciso amar o inútil porque no inútil está a beleza."
[Lygia Fagundes Telles - Ciranda de Pedra]


***

"Talvez culpa minha, talvez... O meu mundo não é como o dos outros; quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que se não sente bem onde está, que tem saudades... sei lá de quê!"
[F.E., in Carta n. 147]


***

"Esta língua não é minha,
qualquer um percebe.
(...)
A língua que eu falo trava
uma canção longínqua,
a voz, além, nem palavra.
O dialeto que se usa
à margem esquerda da frase,
eis a fala que me lusa,
eu, meio, eu dentro, eu, quase."
(PL)


***

Vou levando assim
Que o acaso é amigo
Do meu coração
Quando fala comigo,
Quando eu sei ouvir


***

Solidão
A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre.

- Vinicius de Moraes

No meio do inferno, não é inferno

"O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: procurar e reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço."

 (Italo Calvino, Le città invisibili, 1972)

Virginia


"Esses eus de que somos feitos, sobrepostos como pratos empilhados nas mãos de um empregado de mesa, têm outros vínculos, outras simpatias, pequenas constituições e direitos próprios - chamem-lhes o que quiserem (e muitas destas coisas nem sequer têm nome) - de modo que um deles só comparece se chover, outro só numa sala de cortinados verdes, outro se Mrs. Jones não estiver presente, outro ainda se se lhe prometer um copo de vinho - e assim por diante; pois cada indivíduo poderá multiplicar, a partir da sua experiência pessoal, os diversos compromissos que os seus diversos eus estabelecerem consigo - e alguns são demasiado absurdos e ridículos para figurarem numa obra impressa."

- Virginia Woolf, in "Orlando", 1926.

12.8.13

"O que você é enfim?
Onde você tem paixão?
Segue por aí
Eu não sou ninguém demais
E você também não é
É só rodopiar
Em busca do que é belo e vulgar"
(Cícero)