27.1.08

sobre a saudade...

A pior saudade é aquela que já transcendeu a falta do físico e sofre pelos momentos silenciosos dantes. Especialmente os detalhes.

É a saudade do bafo, da respiração quente. Do bater do coração.
É a falta dos fios de cabelo que caíam nos lençóis. Do olho revirando de prazer. Da abstração que é a intensidade. Dos arrepios conjuntos. Dos sorrisos discretos.
Dos olhares que traduziam tudo o quanto não pode ser dito. Das mãos (principalmente quando entrelaçadas nas minhas).
Dos trejeitos. Das roupas atiradas apressadamente num canto (-onde eu meti minha camiseta...?).
Dos copos vazios. Do balanço da rede. Do céu noturno estrelado que se compartilhava junto, agregado a muitos planos, às vezes secretos e silenciosos.
Saudade de quem eu era.
Saudade de tudo aquilo que se fez tão trivial um dia.

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