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1.10.10

menina-dos-olhos wannabe

Você precisa de alguém que te dê segurança
Senão você dança, senão você dança.
Não nasci pra ser a putinha que o protagonista se diverte antes de encontrar a mocinha... Pelo menos não quando eu gosto do protagonista [senão até não me importaria... moralismo aqui não tá em questão].

Ah, só pra constar, eu posso até tentar fazer as vezes de mocinha, mas não sou mocinha típica, não. Sou estranha, bicho-do-mato, bizarra, pouco carismática e problemática demais para esse papel...

Clementine feellings

Mas... Queria ser a menina dos olhos dele, saca?

Acho que agora não dá mais.

Pingos nos is, please.

26.9.10

a dúvida matadora

"Como sempre, Machado nos passou a perna. De início, ele insinuou que o texto que estava cortejando era Otelo. Descobri que era mesmo Shakespeare mas, provavelmente, Hamlet. Os problemas de Bentinho - a hesitação, a culpa, a indecisão - são muito semelhantes aos de Hamlet. Ele prefere hesitar a ir atrás da verdade. Esse dilema do ser ou não ser, eis a questão, tão claro em Hamlet, é comum também a Bentinho. O último capítulo do livro de Machado se chama E bem, e o resto. A grande questão aí é saber se a Capitu da praia da Glória estava já na Capitu da casa de Matacavalos. Já a última frase do Hamlet é O resto é o silêncio. [...]"

"Se Capitu não traiu Bentinho, Machado de Assis se chama José de Alencar”.

15.9.10

Hj 'tou querendo compartilhar

Sirvam-se aí de um texto muito saboroso, de um cara que eu adoro (à distância), e que corrobora minha tese vai um pouco ao encontro da minha ideia sobre a paixão e o amor... Nesse link.

E abaixo, uma música-coisa-querida. Pq às vezes eu gosto de resgatar uma simplicidade e puerilidade [q palavra feia!] que há muito se esvaiu poraí.


19.8.10

retalhos

No meio de uma aula de direito comercial, os ipês amarelos que rodeiam minha faculdade refletem-se na tela do meu notebook. A voz do professor medíocre ecoa como uma trilha sonora de mau gosto. Os pensamentos voam, fazem escala nos meus sonhos adormecidos, nos meus amores latentes, nos meus medos tão arraigados nas minhas entranhas quanto as raízes do ipê amarelo o são na terra. “Quem pode recorrer? O credor, o Ministério Público...”. O amor descompassado não tem mais o cheiro de cerejeira que tinha antes, e nem Florentino Ariza me parece mais tão atraente quanto era. ‘O amor não vem num pacotinho, ele se constrói, a cada dia’. ‘A coragem do amor que dura’. ‘ Quero a sorte de um amor tranquilo’. O coração dispara. ’22 anos na cara, vai te virar’. ‘Tu tem que ganhar dinheiro’. ‘Tem que matar um leão por dia, teus olhos não vai brilhar todo dia’. Arritmia cardíaca, medo, crise de ansiedade, sintomatologia depressiva. Projetei minhas verdades num ideal que eu não tenho coragem de ser. Não, não é coragem, não é força... nem sempre. Ideais são ideais, vida real é vida real. Consolidei minhas convicções e princípios numa verdade em desconstrução. É tão mais fácil estar à margem. Novação dos créditos, que?

26.1.10

Me inventando

Então eu me ponho a inventar jeitos de ser. Estilos. Personalidades. Modos de rir com o canto da boca e de piscar os olhos. Expressões e trejeitos que serão a minha marca.


Eu, crua, não me agrado.

11.1.10

Inteligência Social


Dia desses estava almoçando com uma amiga querida, e o tal assunto surgiu: a capacidade de certas pessoas de promoverem um invejável marketing pessoal. Muito mais do que marketing pessoal, é possível atribuir a essas pessoas uma extrema inteligência social.

Os “inteligentes sociais” são capazes de vender uma idéia que não corresponde completamente com a realidade. Não que sejam falsos. Não necessariamente. Mas, por exemplo, se eles não vão tão bem assim nas provas da faculdade, se matam estudando e depois deixam transparecer poraí que nem sequer tocaram em um livro. Se choram toda noite no escuro do seu quarto, à luz do dia exibem o sorriso mais fácil e radiante, assim como os dentes mais brancos e reluzentes que já se viu antes. Se o namoro não vai muito bem, em público eles são o casal mais apaixonado do mundo, e nas redes sociais esbanjam fotos de um relacionamento saudável e feliz. Aliás, falando em redes sociais... o perfil no Orkut dessas pessoas costuma exibir muitas fotos que traduzem sua felicidade, e os depoimentos efusivos de amigos não são poucos.

Em geral, os inteligentes sociais são muito bons em estabelecerem contatos úteis, e seu dom para o networking espalha ainda mais sua reputação de pessoa perfeita e bem sucedida. Sabem como agradar a pessoa certa, na hora certa, seja um contato profissional ou uma amizade que trará benefícios, como, por exemplo, de alguém muito popular em determinado meio.

Eu não vou dizer que esse grupo “engane” todo mundo, pois a palavra não é, necessariamente, enganar ou ludibriar. Mas as pessoas dotadas de inteligência social conquistam a todos, e são, de fato, capazes de vender uma idéia de espontaneidade, inteligência, caráter, senso de humor, enfim, de perfeição. E essas pessoas têm o dom de esconder seus defeitos e fraquezas, muito embora, às vezes, deixem escapar algum furo ao observador mais atento, ou àquele que possui uma intuição aguçada.

Eu não consigo não me deixar transparecer... Sou involuntariamente honesta e eloqüentemente sincera. Meu humor autodepreciativo é irrefreável. Minhas caretas de insatisfação são mais fortes do que eu. Creio ser dotada de uma inigualável burrice social. Eu não consigo esconder nada, a começar pelos meus defeitos. Minha auto-estima nada hígida me denuncia. Gostaria que meus próprios olhos enxergassem uma imagem melhor a meu respeito, mas sou exigente por demais. Se eu quiser vender poraí que sou perfeita, estarei enganando a mim mesmo, e isso seria me violentar.


"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro" (C.F.)

16.11.09

Digressões introdutórias e a "aleatoriedade" dos laços humanos

Eu to realmente deixando esse espaço cada vez mais abandonado, o que me entristece... mas é que eu ando fazendo tanta, mas TANTA coisa nessa vida, indo a tantos lugares inusitados, conhecendo tantas pessoas novas, fazendo tantas atividades legais e que me envolvem tanto (e repetindo de uma maneira irritante a palavra "tanto" e suas flexões...), que eu simplesmente não tenho tempo de sentar na frente do PC e escrever um post - quando eu ligo um computador é para digitar aulas, para digitar meus pareceres do trabalho ou para responder e-mails / entrar em redes sociais. Eu só não abandono completamente isso aqui, primeiramente pq gosto, e segundo pq, através das estatísticas do contador, vejo que há pessoas que lêem as aleatoriedades que eu escrevo, e algumas ainda comentam, o que me deixa muito feliz!
Bom, chega de digressões introdutórias inúteis... agora vamos proceder às digressões inúteis, tão-somente... haha. Eu tenho dois pontos a expor. Primeiro: eu estava pensando, provocada especialmente após assistir a um filme (do qual não lembro o nome, mas depois descubro e coloco aqui), a respeito da impressionante aleatoriedade dos laços humanos. Deixa eu ver se me faço entender. Isto se aplica tanto a amizades quanto amores: a gente conhece uma pessoa, meio sem querer, em virtude de certas circunstâncias (também aleatórias), e, sem ter motivo, ou por algum motivo ridículo/fútil, como a meneira que aquela pessoa sorri, ou o jeito dela contar uma piada, nos vemos envolvidos com ela. E seguimos naquele envolvimento, mesmo que os motivos não continuem a aparecer... às vezes por hábito, ou por conveniência, ou por acreditar de verdade que o que nos uniu àquela pessoa é o destino.
Por exemplo, na faculdade, desde o início, desde as primeiras festas, meio por acaso um grupinho se formou... não lembro bem porque. A gente nem se conhecia direito, mas formamos um certo grupo para passar os intervalos, ou ficar junto nas festas. E essa tchurma foi ficando, foi ficando... umas três ou quatro pessoas desse grupo eu realmente me identifico e viraram meus grandes amigos. Com o restante, eu não tenho nada a ver. Não concordo com a maioria das opiniões e pontos de vista, assim como divirjo em todas as discussões. Mas o grupo continua ali, meio por hábito. Chega no intervalo, aquelas pessoas aparecem ali. E só fui me dar conta desse hábito ao qual eu estava presa há pouco tempo, quando resolvi não cortar relações com o grupo, óbvio, mas circular, sair daquela prisão um pouco, e conhecer novas pessoas... me arriscar. Digo me arriscar pq todos já tem suas "panelas" consolidadas, bem como suas opiniões em relação a outrem, mesmo sem conhecer esse "outrem". É normal... rolam fofocas, o povo fala bem, ou fala mal... e a gente, bem ou mal, vira e mexe, é vítima de alguma fofoca. Daí se protege em um grupo, como eu me protegia no meu. Mas quando me dei conta dessa aleatoriedade, e de como eu posso ter a ver com muita gente com a qual nunca conversei e nem sei da existência, ou com a qual eu conversei com certo preconceito, por ser de uma "tribo" (odeio essa palavra) diferente, resolvi circular mais poraí, conhecer novas pessoas e lugares.
O mesmo se dá em relação a amores. No filme que eu vi, uma mulher comenta que se apaixonou por seu ex-marido em razão da maneira que ele contava uma piada... Ficou cega para o machismo dele, e para as diferenças entre os dois. Mas eles foram ficando, e ficando... e tiveram um filho. Depois de um monte de sacanagens dele e de um monte de absurdos que ela ouvia todo dia, ela 'acordou' e resolveu sair de casa. Eu acho que esse é um dos motivos de a gente às vezes ficar preso a uma pessoa, estar infeliz e não saber direito o porque. É a força do hábito, junto com o medo do novo, e às vezes unido a uma crença de que o "destino" nos uniu. Não, não é destino... é apenas a aleatoriedade.
Eu tinha um outro ponto a expor, que anda martelando horrores na minha cabeça de uma meneira inconformista. Mas já escrevi demais. Fica pra próxima.
Ah, sobre o "encontro importante" para o meu futuro de pesquisadora sobre o qual falei no post passado, foi tudo um sucesso.... eu tive ótimos conselhos, e agora fui selecionada para o grupo de pesquisa da faculdade que eu mais queria! Estou muito feliz.
Um beijão!

12.10.09

Voltei! (Assuntos Aleatórios)

Oi, mundo! Fazia tanto tempo que eu sequer logava no Blogger. Engraçado, sou meio de fixações momentâneas... se há uns 4 meses eu era viciada em blogs e pensava em mil assuntos para compartilhar aqui, durante esses últimos tempos eu nem lembrava que tinha um blog. Falta de tempo contribuiu pra esse desligamento também.

Mas aquele "amor entregue à madrugada" estava me deprimindo... chega d'ele ficar em primeiro plano, d'ele ser o primeiro post que aparece quando se olha pra este blog. Xô, sai pra lá. (Não que eu vá te apagar, sabe como é, "haja hoje para tanto ontem", mas o hoje vai cada vez acontecendo mais e deixando o ontem pra trás, é inexorável.) Marcha lenta, como vocês podem ver... mas vida real não é filme, tampouco Platão (em outro post eu explico essa do Platão)

Haha, eu tinha esquecido como era discorrer no papel (na tela do pc, ok) acerca de assuntos não jurídicos. Sem aquele jurisdiquês que a gente se acostuma.

Hoje eu assisti Psicose. Depois Mamma Mia - o filme. Depois novela. Quando eu comecei a assistir a um filme da Xuxa, algo como Xuxa - as gêmeas, comecei a refletir até onde uma pessoa pode chegar para não estudar, haha. Daí me dei conta da procrastinação decadente em que eu estava submergindo, e.... vim para o computador, e resolvi ressucitar o blog! Entenderam a lógica? A gente faz tudo, a gente arruma nossa vida, a gente assiste a filmes da Xuxa, mas a gente não estuda pra prova que tem quarta-feira, de Direito Internacional Público, quilos de matéria, toneladas de folhas por ler. Sério, eu queria taaaanto ser mais focada. Alguém tem uma Ritalina? =)

Tá, chega de divagar sobre assuntos aleatórios. Voltei, é isso que importa. Espero ter tempo para voltar a ler os blogs que tanto gosto. Um beijo.

Observação Aleatória: 2006 foi um dos melhores anos da minha vida. 2007 foi a pior catástrofe. 2008 foi revelador e extremamente feliz. 2009 tá sendo uma bosta. Nunca me senti tão frágil. Lalalá.

Observação Aleatória II: 2006 era o ano que eu estava estudando para entrar na UFRGS. Eu tinha um namorado, eu era sonhadora. Eu ficava ouvindo meu mp3, apertando os fones ao encontro dos tímpanos, bem forte, e eu ouvia aquela música famosa do The Verve, 'Bittersweet alguma coisa', e imaginava a cena, em câmera lenta, de eu encontrando meu nome no listão e indo abraçar meu namorado. A partir daí minha vida seria perfeita. Depois eu conto o final da história.

5.8.09

Ausência...

...Nunca vi nada tão gritantemente presente.


***


22.6.09

Rapidinhas não muito elaboradas

- Por que, meu Deus, os poemas de ônibus são todos tomados por palavras difíceis, as quais nem o mais intelectualóide dos poetas brasileiros seria capaz de conhecer? Pq essa ideia arraigada de que, para um texto ser bom, deve ser entupido de palavras complexas e difíceis? Cara, não é poraí.

- Dizem que o tal do Jesus Luz é cheio e esnobe, pq desfilou carrancudo pela SPFW. Há quem diga que é pura timidez. Jesus Luz, estou contigo! hehe. Eu sei muito bem o que é ser um tímido mal-compreendido.

- Às vezes a gente ganha, às vezes a gente perde. (Eu adoro clichês.) (Essa frase poderia ter sido dita pelo filósofo Pedro Bial, mas creio que seja mais antiga.)

- A vida vale à pena por isso:



Beijosnãometwittem, pq odeio Twitter, tá? Eu sou resistente.

3.5.09

Sobre pequenos preconceitos, mentes abertas, Divã e coisas afins


Logo que saio do cinema, adoro discutir sobre o filme que acabei de assistir, porquanto assim posso expor as opiniões e feelings que tive, e ouvir as da(s) outra(s) pessoa(s). Nesses momentos, geralmente, eu percebo que não fui apta a absorver com clareza ou a sentir com suficiente sensibilidade todas as mensagens que certos filmes são capazes de nos proporcionar. Especialmente se a minha companheira no programa é a minha mãe, que tem uma maneira de sentir e de se tocar com as informações recebidas (sejam filmes, livros, quadros, etc.) peculiarmente refinada, vale dizer, tem enormes sensibilidade e capacidade de percepção.

E assim eu e ela, este fim-de-semana, entre um gole de vinho e outro, conversávamos sobre um filme brasileiro o qual tínhamos acabado de ver – Divã, adaptação do livro homônimo da escritora gaúcha Martha Medeiros, a quem tenho grande admiração. O filme não é daqueles que a gente sai super sensibilizada, ou daqueles que nos provocam super epifanias e mudam nossa vida. Mas é um filme simples, leve, divertido, que se não nos atiça lágrimas, atiça risadas – das mais gostosas. Eu não tinha nada de muito profundo ou original a comentar sobre a obra, mas minha mãe, com suas naturais empatia e sensibilidade, acrescentou: “engraçado né, quando a gente se depara com dois extremos, temos a tendência a estigmatizar, julgar um dos dois, e a nos apegar ao outro”. Sábias palavras.

No caso em epígrafe, ela estava se referindo à personagem principal e sua melhor amiga, [ATENÇÃO, A PARTIR DAQUI O TEXTO CONTEM SPOILERS DO FILME “DIVÔ] as quais eram completamente diferentes: uma era super aberta, a outra mais bitolada ao seu mundinho; uma era aberta, arrojada, e a outra era conservadora, quase ortodoxa; uma achava que traição não era problema, a outra achava o fim do mundo; uma era super independente e achava que o seu marido não era ‘dela’, apenas fazia parte de sua vida (afinal, ‘gente não é dona de gente’), e a outra praticamente vivia para o marido, achando a infidelidade a coisa mais horrível do mundo.

Simplesmente lendo essas informações, você não tem tendência a julgar uma delas como sendo errada, e se apegar à outra? Eu, naturalmente, fazendo parte de uma geração nada careta, e me considerando, bem aberta, tive a tendência imediata de estigmatizar a amiga conservadora como mulherzinha/submissa/ultrapassada/coitada, e a comprar a causa da personagem principal, arrojada, moderna, ousada, espevitada, quase libertina. Já durante o próprio filme me dei conta de como havia sido ridícula (e de como eu não era tão mente aberta assim), e sim de que tudo é uma questão de contexto: a personagem moderna e arrojada estava feliz, sendo ela mesma, em seu contexto, da mesma forma que a amiga conservadora, casada, dona-de-casa, que vivia para o marido, era muito feliz e realizada em sua vida e suas ambições (por menores que essas possam parecer aos olhos de pessoas como eu, que pensam bem diferente). É uma questão de respeito e de contexto.

O bom do filme, e que me surpreendeu positivamente, foi justamente mostrar que não há posição certa ou errada: não teve uma das duas que se deu mal, não houve final moralizante: mostrou que ambas foram felizes com as ambições que perseguiram e com as idéias e concepções de vida que julgavam corretas.


OBS. NADA A VER: reflexão total realista da super diva MARILDA (de A Grande Família): “Homem é tudo igual, até quando é diferente”. Hahaha. Fato!
UPDATE:

Promoção "Os Delírios de Consumo de Becky Bloom" no Tutorial MakeUp! Corre pra participar =)

28.4.09

Happiness is only real when shared

A felicidade só é verdadeira quando compartilhada...




(Into the Wild (Na natureza selvagem)/ trilha sonora de Eddie Vedder)

22.4.09

Saudade é resto de amor


“Sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável.”

Sabe o que é isso?
É saudade (Houaiss).

Sempre nas entrevistas das celebridades, elas aludem à saudade quando perguntadas qual sua palavra preferida ou sentimento mais bonito. Porque a única língua que incorporou esse substantivo é a portuguesa, nas outras línguas só existe em forma de verbo ('miss', 'mancare', 'manquer', etc =“sentir falta”) e blábláblá.

Por incrível que pareça, comecei a pensar mais na ‘metafísica’ dessa palavra quando li desinteressadamente um pedaço de um texto publicado na revista Capricho, na verdade uma carta em que a menina em tela dizia que sentia falta do namorado, com o qual tinha acabado dias antes por não gostar mais, e não sabia se voltava com ele ou não.

Daí uma psicóloga contactada pela revista respondeu: “talvez você não ame ele, provavelmente seja só saudade”.

Daí comecei a me questionar. Sentir saudade significa necessariamente querer voltar ao tempo que é saudoso? Ou pode ser só um sentimento melancólico natural, uma vez que vicissitudes são inevitáveis e inerentes à vida, e sendo assim devemos dar vazão ao sentimento, para que um dia deixe de doer?

Qual a diferença entre saudade e nostalgia?

Segundo o mesmo Houaiss, Nostalgia é “saudades de algo, de um estado, de uma forma de existência que se deixou de ter; desejo de voltar ao passado”. Existe diferença entre saudade e nostalgia? Ou seriam a mesma coisa? Qual a diferença?

Encaminhando-se um pouco mais ao âmago da questão, vamos à etimologia da palavra saudade:
lat. solìtas,átis 'unidade, solidão, desamparo, retiro'; der. do lat. sólus,a,um 'só, solitário'.

Huum, então deriva de “solidão” e “desamparo”? Em qual medida desejamos de volta a coisa saudosa, e em qual medida apenas estamos nos sentindo solitários e melancólicos, e estando sensíveis e volúveis, confundimos nossos sentimentos? Qual o limear entre a real vontade de voltar ao passado e a simples melancolia natural e passageira? A partir de qual ponto posso considerar a dor da saudade insuportável a ponto de que a coisa certa a fazer seja retornar à coisa saudosa (se possível)?

Eu não sei essas respostas. Recorro aos dicionários e às músicas porque não sei ler e escutar meu próprio coração.

O tempo ajuda? Eu espero. Comofas?
Enquanto isso,exorcizo meus sentimentos através da escrita irrefreada.

A excelsa Maysa deixou sua dica: “saudade é resto de amor / de amor que não deu certo”.

13.4.09

Perdoar



"Já perdoei erros quase imperdoáveis,tentei substituir pessoas insubstituíveis e
esquecer pessoas inesquecíveis." (Augusto Branco)

"Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calmo e perdôo logo. Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre." (Clarice Lispector)


"Os fracos jugam e condenam, porem os fortes perdoam e compreendem." (Agusto Curry)


Vi o tema perdão num blog que visito e, dadas certas circunstâncias da minha vida atual, achei que viria muito a calhar escrever sobre isso também.

Segundo a Wikipédia, perdão é "um processo mental ou espiritual de cessar o sentimento de ressentimento ou raiva contra outra pessoa, decorrente de uma ofensa percebida, diferença ou erro, ou cessar a exigência de castigo ou restituição."

Uma coisa é fato. Perdoar é difícil. E tão difícil quanto perdoar é nos permitirmos ouvir a pessoa a que punimos, assim como colocar-se em seu lugar. Muitas vezes estigmatizamos o(s) ato(s) o qual reprovamos em alguém de impordoável, rifamos a pessoa e com isso construímos uma parede intransponível entre o nosso eu ofendido e a pessoa a que estigmatizamos, juntamente com seus motivos e explicações.

Não permitindo que a pessoa se explique, que exponha seus motivos, e não nos permitindo a compreender essa pessoa, estamos também não nos permitindo a perdoar e a esquecer.

Porque se essa outra pessoa nos feriu tanto, é porque ela era importante para nós, por algum motivo que não é nem um pouco vão. Ela deve ter lá suas qualidades, e não ser apenas um todo podre e odiável que agora a pintamos.

Não, eu não estou escrevendo isso porque me encontro em uma situação de ofensora que implora pelo perdão. Eu quero aprender a compreender, e quero comprender também. Se é que o desamor é compreensível.

Ah, mudando de assunto, mais duas coisas:

1. Gaby, obrigada pelo selinho, posto aqui no próximo post!
2. Inaugurei meu blog jurídico, dêem uma olhada! --> http://www.desbitolando.wordpress.com/
Até :)

26.3.09

a "completude" da modernidade.

Modernidade líquida, laços líquidos. É a nossa necessidade de se amarrar bem forte, é a carência extrema, e ao mesmo tempo a necessidade de manter os laços frouxos, para podermos desamarrá-los sem dó: nunca se sabe, com o leque de opções infináveis e novidades a todo momento, sempre vai haver uma grama mais verdinha do que a gente tem em casa. E temos que proceder a troca sem sofrer, isso é importantíssimo. Essa é a nossa única preocupação.

"Eu quis te convencer, mas chega insistir
caberá ao nosso amor por o que há de vir
pode ser a eternidade má
caminho em frente pra sentir saudade"


3.2.09

Prolixos, Devagares e Delongados Devaneios

Acho que o motivo de eu ter me ausentado por tanto tempo foi simples e auto-explicativo: eu estava vivendo. Da forma mais ativa que esse verbo pode tomar. Sem tempo para nada, apenas vivendo, sentindo, deleitando-me. Ah, e comprei uma pequena agenda para servir-me de diário, assim a ânsia de escrever sacia um pouco. Além do mais, num diário que apenas eu leio, escrevo coisas muito mais pessoais e comprometedoras, o que faz dele muito mais interessante do que um diário virtual. ..Até hoje, em que senti uma enorme falta de devanear por aqui.

Eu mudei de servidor, e por enquanto estou gostando, e apenas mudei porque o Sapo tem uma ferramenta que torna possível importar todo o conteúdo do meu antigo blog do Blogspot, incluíndo tags e comentários.

Eu estava pensando hoje, enquanto tentava desvendar os motivos do meu atual desânimo. E cheguei à conclusão de que para mim, o que mais dá paz é a sensação de que sei o que quero, pelo menos a curto/médio prazo. Mesmo não tendo "em mãos" o que eu sei que quero. Mas o fato de eu estar segura dos meus desejos, sabendo por que e pelo que devo 'lutar', isso é o que me dá mais paz. Eu prefiro muito mais essa situação do que a circunstância de ter "em mãos" o que eu quero, mas sem tanta certeza assim acerca do meu querer. Se eu tenho uma dúvida, uma duvidazinha só, tudo já desmorona, e eu fico a me remoer sem prazo definido.

Ansiosa pelo que me aguarda em Fevereiro. Tudo é uma incógnita.

Meu novo bebê, Bentinho, um gatinho tirado das ruas.

18.12.08

Dicotomia Temperament/Caráter e... FELIZ NATAL!

PhotobucketOie! Tô passando voandoo por aqui, acabei de chegar de um trabalho suuuper cansativo e estou super atrasada (vou ao cinema assistir Queime depois de Ler), mas tenho que dar uma satisfação né! risos.
Dei uma pesquisada, e encontrei a resposta do post passado... quer dizer, encontrei uma resposta que, pelo menos pra mim, satisfaz. A alma ilimunada em que eu busquei ajuda chama-se Diogo Lara, um psiquiatra especializado em humor e temperamento. Não, eu não fui até o consultório dele. Comprei um livro, chamado "Temperamento Forte e Bipolaridade - dominando os altos e baixos do humor". Neste, inesperadamente, encontrei uma teoria convincente sobre nossa personalidade. O que Diogo faz é o seguinte, sinteticamente: ele, com base em estudos e análises epidemiológicas psiquiátricas, faz uma divisão entre "temperamento" e "caráter". Assim:

"O temperamento, que também conhecemos por "gênio", está ligado às sensações e motivações básicas e automáticas da pessoa no âmbito emocional. É herdado geneticamente e regulado biologicamente e pode ser observado nos primeiros anos de vida. (...)

Enquanto o temperamento tem a ver com este plano emocional básico do indivíduo, suas sensações e motivações, o caráter decorre mais das experiências e modelos que formam nossas memórias e padrões psicológicos (caráter nesse contexto não significa somente boa índole ou valores morais sólidos).

O temperamento define o que mais naturalmente se salienta no mundo para cada um e influencia os tipos de experiências em que nos envolemos e como reagimons instintivamente a elas. A interpretação destas experiências gera um significado que por sua vez lapida a expressão do temperamento, que é o caráter. Assim, é claro que o temperamento e o caráter se influenciam e interagem e nem sempre é fácil diferenciar o que provém do caráter e o que provém do temperamento. A combinação deste temperamento com o caráter que se forma pela experiência é o que definimos como personalidade." (pgs. 13/14).

Essa teoria me satisfez bastante, ainda mais por sua credibilidade, uma vez que encontra fundamento na Psiquiatria.
Agora tenho que partir... Viajarei amanhã e ficarei fora por uns 8 dias. Então queria aproveitar o momento pra desejar um FELIZ NATAL, e agradecer a todos que lêem esse humilde blog, que passam de vez em quando por aqui e também os que estão lendo pela primeira vez. UM BEIJÃO!

23.11.08

Tonight Im tangled in my blanket of clouds, Dreaming aloud...

Eu quero me livrar do meu lado que é só sofrimento, me dissociar dos meus chicotes. Mas sem segregar meus sofrimentos de construção e minhas dores instrutivas. As lições que fortalecem.
Quero me liberar dos meandros sem propósito, das bolas de neve, dos túneis escuros, dos meus boicotes.
Quero saber viver com certos pontos de interrogações nas costas. Sem que eles me pesem. Ou pelo menos sem que eles me pesem tanto.

Eu quero me mandar, mas sem nunca me perder de vista.

12.11.08

Vitimização Inconsciente

Você pode dizer que não, mas no seu inconsciente, você se faz de vítima. Quando convém, é claro. 

Bem ou mal, a vitimização é um ótimo subterfúgio.
É a perfeita desculpa para os nosso fracasso.

Hoje estava conversando com uma amiga, a Lara*, e estávamos estressadas, chateadas com certos acontecimentos, bem como com a imensa quantidade de provas e compromissos que temos ultimamente. 

"Ontem eu tava pensando na vida, e cheguei à conclusão que a minha vida tá uma merda".

Será que este "pensando na vida" não foi um pouco tendencioso?
Será que não fazemos questão de pensar de uma forma que nos leve a acreditar que a nossa vida é uma merda, que tudo que acontece com a gente é uma merda, que é uma conspiração do destino pra que tudo dê errado, que somos injustiçados, etc.?

Foi isso que eu disse pra ela. Como esperado, Lara* respondeu imediatamente que não, óbvio que não era isso, ela tem certeza que não está se fazendo de vítima, ela não faz essas coisas.

Claro, eu disse a ela, a gente não faz isso de propósito, e nem gosta de pensar que faz, afinal, é tudo inconsciente, é tudo subterfúgio, é tudo desculpa esfarrapada pra nós mesmos.

É o mesmo que ocorre quando temos uma prova muito difícil pela frente e ficamos batucando no cérebro: "sou burra, sou burra!". Sim, isso facilita tudo. Sermos burras já é o juízo final, é o fim de tudo. Mesmo estudando a gente nunca vai conseguir aprender, pois somos burras. Bela desculpa.

Ou também quando eu acordo pela manhã, sonâmbula, e penso: "ai, eu tou muito cansada, minha rotina tá muito pesada, mereço dormir". E falto a aula. 

Esse esquema de vitimização só leva a um caminho: auto-sabotagem. No final das contas nos boicotamos, acabamos indo muito aquém das nossas capacidades.

Paremos com essa burrice de ir pelos caminhos mais fáceis e acreditarmos nas nossas prórpias desculpas. Elas nos aprisionam.

FICADICA!

15.1.08

Libertemo-nos

"Todos os caminhos conduzem ao mesmo objetivo: comunicar aos outros o que somos.Devemos atravessar a solidão e a dificuldade, o isolamento e o silêncio, a fim de chegar ao local encantado onde podemos dançar nossa dança desajeitada e cantar nossa canção Melancólica - mas nessa dança ou nessa canção são cumpridos os ritos mais antigos de nossa consciência, na percepção de sermos humanos e de crermos em um destino comum." (Pablo Neruda)

Ultrapassar as barreiras imaginárias (e ao mesmo tempo inimagináveis) do “alter”, imergir num universo complexo e amplo que não é nosso, e buscar identificação: essa é nossa maior missão nessa vida. Quebramos a cabeça tentando entender o porquê de estarmos aqui, quem somos nós e pra onde iremos... essas respostas encontramos uns nos outros, na comunicação, na identidade de nós mesmos contida no próximo.
Vida é alteridade: é reconhecer o outro como diferente de mim, e ainda assim me reconhecer nele. É rompendo as bolhas de outrem (e lutando para livrarmos-nos de nossas bolhas), desfazendo a visão preconceituosa de que os olhos dos outros são nossas prisões, superando a tendência ao isolamento e tendo coragem de mostrar quem somos (“dançando nossa dança desajeitada e cantando nossa canção melancólica”) que atingiremos a eudaimonia, a felicidade, o real sentido da vida...
Libertemo-nos!